Embora não se considere um poeta, escreve também alguns poemas, notadamente em prosa. É, co-autor do livro Poesia Todo Dia, editado pela Ag Book, onde participa com o poema transcrito abaixo.

O corte, a corte (2010)

A polícia prende, o doutor o solta
Se o dinheiro rende, doutor o quer de volta
Menina sem peito, amante de doutor
Na esquina suja já vendendo amor
Menino sem luz, sem túnel nem escola
Implora ao doutor, um troco, pão, esmola
Doutor sorridente, faz que nem ouviu
Ano sem palanque, com enchente de rio
Melhor não dar as caras à vergonha alheia
É melhor na meia, em bolso de cueca
Pois é pouco bolso pra tanta merreca
Tirada dos doentes das filas, às moscas
Dos velhos sem dentes, com manias toscas
Dos que em comboio tal e qual sardinha
Vão levando a vida apertada em suas vidinhas
É o corte é a corte
É o forte e é a corte
É a fome é a corte
É a morte, é a corte
Construções findadas no meio
Outras tantas erigidas ao feio
Papéis pelas ruas, sofás nos riachos
Mentiras sem graça, novelas chinfrins
Onde estão nossos querubins?
Pra salvar essa terra, esse povo
Esse novo, quase uma nação
Quase um tudo, quase nada
Quase fogo, quase brasa
Quase sem pecado,
Quase que letrado
Quase um quase, então.